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6.4.09

Miau Miau

Este poema foi escrito pelo meu avô Zé, que adora escrever, para além de ler!
Para que o poema faça algum sentido e nexo, é necessário que eu explique a história por detrás desta poesia.
A minha fonte fidedigna é a minha tia Lu que me contou o enredo desta história, então aqui vai:
O meu avô Zé sempre foi um grande "praticador" de partidas! Na Luz de Tavira andava sempre tudo em alvoroço com o Zé Cabeçudo, pois ele não a deixava por bendita e pregava sempre grandes partidas aos amigos, mas daquelas mesmo do piorio! Tipo roubar uma galinha, combinar uma patuscada com os amigos e convidar o dono da galinha e no fim este descobrir que aquele belo manjar que acabara de degustar tinha sido a sua própria galinha!
Mas não vamos perder o fio à meada e retomemos à história da poesia.
Na Luz de Tavira, há já tempos muito idos, o senhor Cantigas organizou uma grande petiscada de lebre e convidou os amigos. Acontece que no dia do pitéu compareceram os amigos convidados, os intrusos, os vizinhos e mais alguns!
Havia mais gente que comida e começa então a circular que o que comiam era gato e não lebre!
Foi um alvoroço! Um ai Jesus!
A sua veia de folião, do meu avô, falou mais alto e então de cada vez que o Senhor Cantigas passava à sua porta o meu avô sibilava "Miau, miau". E assim nasce este poema:

Miau Miau
Dizem p'ra aí que na Luz,
Houve um petisco de truz,
Em que lambuçaram tudo
Dum excelente serviço,
Onde entrou gato e ouriço
E também o Cabeçudo.
Lá p'rás bandas da estação
O caso fez sensação,
Houve quem sentisse febre
E andasse numa agonia,
Toda a noite e todo o dia
Por comer gato por lebre.
Houve quem comesse o gato
E ainda lambesse o prato
Sem saber da esparrela,
Mas depois, ai que arrelia!
Houve vómitos e azia
Ao pensar em tal mistela.
Dessa bela patuscada
Recordam a caldeirada
Levadinha, duma figa;
Depois é que foram elas
Os azedumes de goelas
E os miados na barriga...
Na opnião de um conviva,
O gato andava à deriva
Por falta de bacalhau
E até parece anedota,
Mas na Luz, nem por chacota,
Se pode dizer Miau.
Agora ninguém se atreve
A falar nem ao de leve
No tal pitéu lusitano,
Por causa do resfetêlo
Dizem que cai o cabelo
Ao comilões do bichano...


(in a Gazetilha, por Zé da Rua)