21.4.12

A bolha


Sempre vivi (e não o sei fazer de outra forma...) na chamada bolha...
Sempre fui (fomos) a(s) menina(s) do papá (sim mana tu também o eras e és!). Nunca nada nos faltou. Sempre fomos umas privilegiadas. Umas princesas no seu reino. Tudo nos foi concedido como um desejo. Ontem, hoje e sempre (assim espero). Mas não foi por isso que crescemos meninas mimadas. Arrogantes.
Sempre nos foi ensinado que as coisas não são como nas histórias de encantar em que o rodopiar de uma varinha mágica faz aparecer o que mais desejamos. Não. Isso não foi o que nos ensinaram... Ensinaram-nos que tudo tem um preço. Tudo tem o seu valor. E depois de adquirido deve-se estimar.
Ainda hoje somos as princesas desse reino.
Hoje valorizamos aquilo que temos. Muito. Pouco. Ou nada.
Na minha bolha não existem dragões de bocas flamejantes, nem piratas com cara de mau, nem bruxas com verrugas, nem gigantes assustadores, nem ogres mal cheirosos. Na minha bolha vivem as fadas cintilantes, as princesas e principes dos contos de encantar, os gnomos de nariz abatatado, os elfos de orelhas pontiagudas e os magos de capas estreladas.
A minha bolha fica algures nos nenhures da Terra da Nunca. Onde há alegria e nunca, mas nunca crescemos!
Esta bolha foi esculpida pelos meus pais, mais tarde apareceu o meu mor que cuidou dela com todo o primor. Com todo o amor. Com toda a dedicação.
A bolha é impenetrável. Não entram fatalismos. Agonias. Tristezas. Mentiras. Depressões.Invejas. A bolha não deixa... porque o seu escudo é demasiado poderoso...
A bolha alimenta-se de amor. Esperança. Assertividade. Alegria. Sorrisos. Família. Amizade.
Por tudo isto eu vivi, vivo e vou continuar a viver na minha Terra do Nunca. Onde o mal jamais vencerá. Onde seremos sempre eternas crianças.
Parece utópico, não é?
Eu não acho...
Nós construimos aquilo que queremos. Nós somos os comandantes do nosso destino. Só depende de nós... Unicamente de nós...
Já dizia o poeta que o sonho comanda a vida.
E é da vida e dos sonhos que temos de viver.Ponto.
Mas também fico triste.
Preocupada.
Agoniada.
Também sofro.
Choro.
Mas a bolha quando isso acontece emana uma luz tão forte e intensa que me desperta. E faz-me pensar e acreditar que tudo ficará bem. Que tudo está bem. Basta querer (muito). Basta acreditar (sempre).
Por isso vamos acreditar e agradecer. Sempre.

Esta música é inspiradora. É verdadeira em cada palavra. E tem a minha máxima de eleição... Sorri... Sempre!







6 comentários:

Maria disse...

Lindo o que escreveste!
bjs grandes

Alexandra disse...

Sara esse teu texto deixou com as lágrimas dos olhos... Identificou-me tal e qual como tu descreves. Neste momento estou a passar uma fase complicada com o meu pai,mas ao ler o que tu escreveste dá-me mais força para acreditar que tudo irá ficar bem. Beijinhos e desculpa o meu desabafo..

*sara* disse...

Obrigada Maria ;)

Alexandra nao pecas desculpa... Desabafa a vontade :) desabafar e libertador :)

Beijo grande

raquel disse...

Adorei o texto.
Adorei ler-te.
E é muito bom absorver essa energia positiva que emanas-te nestas palavras.
Obrigada, por isso.
Um beijo enorme ♥

Cris ♥ disse...

Como te entendo!!! Talvez por isso tenha tanta dificuldade em enfrentar os problemas... deixo-me ir a baixo com demasiada facilidade... não sei reagir quando um bicho papão tenta furar a minha bolha. Mas sinceramente não sei até que ponto isso é bom... talvez fosse bem mais desenrascada se os meus pais não me tivessem protegido tanto.

*sara* disse...

Obrigada Raquel pelas simpáticas palavras :)

Cris,
A bolha e a minha concha protectora, nao me torna invisível e nem me torna fraca, antes pelo contrário ... Torna me forte e capaz de mover mundos e fundos. sei encarar o touro pelos cornos e agarro me a eles com toda a minha forca, pois o que nao nos mata torna nos mais fortes. A bolha e o meu recanto. O meu santo grall. O meu espaço sagrado .
Foi a bolha que me ensinou (e ensina) a ser forte. Ajuda-me a ver o mundo com outros olhos. Com outro sabor. E ela que emana as vibrações positivas para enfrentar o meu dia a dia. Nao e fácil. Nunca e. A vida e uma aprendizagem e cabe nos a nos aprender as lições que ela nos da e retirar delas o melhor. Sempre o melhor.

Beijinho grande :)